KIT FALTA D’ÁGUA

crise hídrica e a utilidade de um KIT FALTA D’ÁGUA

Escrito por Manoel,

revisado e editado por Manoela.

Na minha infância em Glória do Goitá, a água utilizada era proveniente das cisternas¹. O problema é que no verão, quando as cisternas secavam, buscar água na cuieira² se tornava responsabilidade minha, dos meus irmãos e dos cavalos. Após 12 km de caminhada e com o sol posto, entregávamos a água à nossa mãe, que cuidadosamente armazenava cada gota em potes de barros (jarras), quase como em um ritual religioso. Ver a água como principal personagem dos meus dias me tornou um defensor do uso responsável da água, pois a escassez me ensinou a ver o quanto a água é essencial na manutenção do nosso dia a dia.

Trazendo uma perspectiva ainda mais crítica do que o verão da minha infância,
quando cavalos, latas e fontes de água não estão disponíveis,
e a crise é causada por um imprevisto, um desastre natural ou um conflito,
temos um cenário com uma escassez imediata de água potável, trazendo riscos à saúde das populações afetadas, o que torna a crise ainda mais difícil de ser enfrentada.

E é nesse contexto de crise que imagino os benefícios de um KIT FALTA D’ÁGUA capaz de
. trazer segurança de acesso a água potável
. prevenir doenças relacionadas à água contaminada
. reduzir a dependência de ajuda externa, que pode demorar a chegar
. proporcionar conforto e tranquilidade em uma situação já caótica

Mas o que seria esse kit?

Algo simples, acessível e capaz de cumprir a função do pote da minha infância, simplesmente uma reserva de fácil transporte e fácil manuseio. Um kit que possibilite a manipulação da água reduzindo o risco de contaminação. E que seja fácil de distribuir em uma situação emergencial.

O kit pode ser resumido a um objeto: GARRAFA COM TORNEIRA.

Que pode ser usado nas atividades cotidianas necessárias no banheiro e na cozinha.
A função do recipiente é substituir o uso de canecos, bacias ou qualquer outro tipo de recipiente que pode manter água parada e favorecer a proliferação de doenças.

Essa é uma alternativa prática para armazenamento e transporte de água, que facilita a distribuição pelas equipes de resposta a emergências.

cisternas1: reservatórios destinados ao armazenamento de água da chuva (pluvial).

cuieira2: fonte de água localizada no Sítio Cuieira.

Imagens

01: Lage, Welington. (2020). O Poço da Bebidinha. Gravuras rupestres em rochas esculpidas por um rio. Kairós. 80-96. 10.14195/2184-7193_5_7.

02: Imagem retirada do Google, editado pelo autor.

03: Desenho do autor.

04: Desenho do autor.